06/03/2019

Santa Piscina


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Natação e hidroterapia são algumas atividades recomendadas para idosos em busca de qualidade de vida

Por Sergio Kapustan

A piscina me salva de muitas situações opressoras”. Esta é uma das frases que marcam a trajetória de Nora Tausz Rónai que comemora 95 anos. Nascida em 29 de fevereiro de 1924, é arquiteta, professora, escritora, mãe e atleta de natação em atividade. Até hoje nada quatro vezes por semana no Clube de Regatas Guanabara, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. À Revista ANAPP, Nora fala de sua ligação com a piscina desde o berço. “Eu gosto de pular em qualquer poça d´água”, brinca. Com uma conversa clara e bom humor, a atleta, de origem judaíca, nasceu na Itália e sofreu a perseguição fascista, emigrando para o Brasil em 1941 junto com a família. Manteve-se sempre ligada ao esporte. A mãe, Iolanda, segundo informou, era uma excelente nadadora. O pai, Edoardo, foi esgrimista. “A tradição familiar era de a gente se mexer”, recorda.

Adaptada à realidade brasileira, descobriu os clubes do Rio de Janeiro e suas piscinas. Na juventude e depois adulta, foi nove vezes campeã carioca de trampolim e plataforma pelo Fluminense. Ao completar 90 anos, em 2014, conquistou sete medalhas de ouro no campeonato mundial realizado em Montreal, no Canadá. Os compromissos de mãe e profissionais interromperam sua vida esportiva, limitando-se em aproveitar os intervalos de trabalho e de viagens do marido Paulo Rónai (1907- 1992), tradutor e escritor húngaro que organizou a edição brasileira “A Comédia Humana”, escrita pelo francês Honoré de Balzac, para nadar e relaxar. A retomada da carreira da atleta ocorreu quando estava próxima dos 70 anos e durante o tratamento de Paulo Rónai de um câncer na laringe. Naquele momento, a médica cardiologista dele sugeriu a ela nadar para se distrair, com aprovação imediata do marido. Sua performance chamou a atenção e logo foi chamada para disputar competições na categoria master, no Brasil e exterior. Entre os estilos que nadou estão borboleta, peito e costa. Toda sua história de vida está registrada no livro Memórias de um Lugar Chamado Onde (Casa da Palavra). “A felicidade é que faz a gente viver bem e talvez ajude a evitar doenças”, afirma Nora que tem um vigor invejável e supera desafios também no ar, quando pula de paraquedas.

Ganhos para a terceira idade

Clubes e academias informam que a Organização Mundial de Saúde (OMS) define que, no caso do Brasil, pessoas com 60 anos ou mais são consideradas idosas. Estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra uma “virada” no perfil da população brasileira em 2030, quando o porcentual de pessoas com 60 anos de idade ou mais vai ultrapassar o de crianças de 0 a 14 anos. Segundo estimativa do instituto, os idosos chegarão a 41,5% (18% da população) e as crianças a 39,2% (17,6%). O envelhecimento pode ser compreendido como um conjunto de alterações estruturais e funcionais desfavoráveis do organismo que se acumulam de forma progressiva, especificamente em função do avanço da idade. De maneira geral, o idoso apresenta uma multiplicidade de sintomas como dor, fraqueza muscular, déficit de equilíbrio, desordens na marcha, dificultando os exercícios em solo. O meio aquático proporciona sensação de redução do peso corporal, possibilitando maior liberdade de movimentos, mais tranquilidade e segurança durante a execução dos exercícios, uma vez que o risco de lesões por quedas é mínimo. “As atividades aquáticas possuem uma aderência maior do que a maioria das atividades fora da água. Normalmente o praticante gosta muito da sensação e dos benefícios que só a atividade física dentro da água proporciona, e isso faz com que os alunos se apaixonem e permaneçam praticando por muitos anos, senão pela vida toda”, explica o professor Fernando Amaral, proprietário da Escola de Natação Amaral, com sede em Curitiba (PR). Especialistas no assunto, desde coordenadores de academia até educadores físicos, destacam os ganhos para a terceira idade com a natação, hidroginástica, ginástica aquática e hidroterapia, por exemplo. Melhora no condicionamento físico e circulação sanguinea, resistência muscular, perda de peso e diminuição da depressão e ansiedade são alguns deles. “São inúmeros os benefícios da atividade física realizada dentro da água. O primeiro deles é a segurança, pois o risco de lesões é baixíssimo. Estar com o corpo imerso na água ajuda no controle da carga do exercício que é proporcional ao condicionamento de cada um, há um controle maior da pressão arterial e batimentos cardíacos, além de melhorar a autoestima e o estado de felicidade”, diz Fernando Amaral. O ortopedista Reinaldo Nishiyma, do Centro de Qualidade de Vida (SP), acrescenta: “Os exercícios de piscinas não têm impacto e com a força do empuxo da água, podemos fazer alongamentos sem esforçar tanto o corpo”.