15/01/2026

Tragédia em parque aquático reacende debate sobre segurança e normas técnicas para piscinas


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A morte do salva-vidas Guilherme da Guerra Domingos, de 24 anos, durante o trabalho em um parque aquático no interior de São Paulo, trouxe à tona a importância do cumprimento rigoroso das normas técnicas de segurança em piscinas de uso coletivo. O caso, ocorrido no parque aquático Wet’n Wild, em Itupeva, está sendo investigado pela Polícia Civil.

 

Segundo o boletim de ocorrência, o profissional mergulhou em uma piscina enquanto exercia suas funções e acabou sendo sugado por um ralo do sistema hidráulico da atração. Ele ficou preso e se afogou no local. Colegas de trabalho retiraram o corpo da água e iniciaram os primeiros socorros até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Apesar do atendimento, o salva-vidas não resistiu e teve a morte confirmada ainda no mesmo dia, por afogamento.

Diante da gravidade do episódio, o parque aquático suspendeu temporariamente suas atividades para colaborar com as investigações. As autoridades apuram se houve falha técnica, descumprimento de normas de segurança ou problemas operacionais no sistema de sucção da piscina.

 

Norma ABNT NBR 10339/2018 e os sistemas de sucção

O caso foi tema de reportagem exibida pelo Jornal Hoje, da TV Globo, que ouviu João Marques Junior, gerente administrativo da Associação Nacional das Empresas e Profissionais de Piscinas (ANAPP), para explicar os critérios técnicos previstos na ABNT NBR 10339/2018, norma que regula o projeto e a execução de piscinas no Brasil.

 

Durante a entrevista, João Marques Junior destacou um dos pontos centrais da norma relacionados à prevenção de acidentes por sucção:

“Ela estabelece que instalações devem ter no sistema de sucção a instalação de dois drenos de fundo interligados. Se um ralo tiver uma obstrução, esse outro ralo compensa essa obstrução, não ocasionando o aprisionamento, seja pelo cabelo ou partes do corpo.”

 
 
 

A norma técnica determina que piscinas adotem sistemas de sucção projetados para evitar o chamado aprisionamento hidráulico, situação em que a força do vácuo pode prender cabelos, roupas ou partes do corpo dos usuários, com risco de ferimentos graves ou morte.

Entre as exigências da NBR 10339 estão o uso de múltiplos drenos interligados, dispositivos antiaprisionamento, sistemas de alívio de pressão e dimensionamento adequado das bombas, justamente para reduzir o risco de sucção excessiva em um único ponto.

 

Investigação e responsabilidade

A Polícia Civil segue colhendo depoimentos de funcionários e responsáveis técnicos, além de analisar o sistema hidráulico da atração onde ocorreu o acidente. A apuração busca esclarecer se as exigências previstas nas normas técnicas e na legislação federal foram integralmente cumpridas.

O episódio ocorre em um contexto de crescente atenção pública e institucional sobre a segurança em piscinas, o cumprimento das normas não deve se limitar à fase de projeto, mas também à manutenção, fiscalização e operação diária das instalações.

Enquanto as investigações prosseguem, o caso reforça a importância de normas técnicas como a ABNT NBR 10339/2018 como instrumentos essenciais para a prevenção de tragédias em ambientes aquáticos de uso coletivo, onde qualquer falha pode ter consequências irreversíveis.

Fontes: Jornal Hoje (TV Globo), CNN Brasil, Polícia Civil de São Paulo.

Crédito Fotos: Jornal Hoje - Globo