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Superintendente do CRQ-SP fala sobre tratamento de água de piscinas em entrevista à rádio Bandeirantes
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O CRQ (Conselho Regional de Química) é uma autarquia federal criada pela Lei nº 2.800/1956, responsável por registrar e fiscalizar o exercício profissional de químicos e empresas do setor. Sua função é garantir que a atividade química siga normas técnicas e éticas, protegendo a sociedade de atuações irregulares ou inseguras
Foto: Manhã Bandeirantes, com Vitor Lupato e Marco Antonio Sabino - Programa de 11/02/2026
CRQ-SP reforça que tratamento de piscinas deve ser feito por profissionais habilitados
Após o acidente registrado recentemente em uma academia de natação na capital paulista, que resultou na morte de uma professora e deixou outros alunos gravemente intoxicados, o tema da segurança no tratamento da água de piscinas voltou ao centro do debate público. Em entrevista ao programa Manhã Bandeirantes, da Rádio Bandeirantes, o superintendente do Conselho Regional de Química de São Paulo (CRQ-SP), Wagner Contrera Lopes, esclareceu os principais pontos técnicos relacionados ao uso de produtos químicos em piscinas e defendeu a atuação exclusiva de profissionais habilitados, especialmente em ambientes de uso coletivo.
Durante a entrevista, Wagner Lopes destacou que o tratamento adequado da água, quando realizado por pessoas qualificadas e seguindo critérios técnicos, reduz drasticamente o risco de acidentes. Segundo ele, as imagens do ocorrido na academia indicam que houve falhas graves na manipulação dos produtos químicos. “O que foi visto no local mostra que os procedimentos adotados foram totalmente inadequados”, afirmou.
Tratamento correto reduz riscos
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Foto: Manhã Bandeirantes, com Vitor Lupato e Marco Antonio Sabino - Programa de 11/02/2026 |
De acordo com o superintendente do CRQ-SP, o tratamento de piscinas não se resume à aplicação de produtos químicos, mas envolve conhecimento técnico sobre dosagens, reações químicas, parâmetros da água e procedimentos de segurança. Quando esses processos são conduzidos por profissionais habilitados, os riscos de intoxicações, reações químicas perigosas e danos à saúde dos usuários são minimizados.
Ele ressaltou que o uso inadequado de produtos químicos pode provocar alterações bruscas na qualidade da água, liberação de gases tóxicos e intoxicações graves, colocando em risco tanto os banhistas quanto os próprios operadores do sistema de tratamento.
Diferença entre piscinas residenciais e coletivas
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Foto: Manhã Bandeirantes, com Vitor Lupato e Marco Antonio Sabino - Programa de 11/02/2026 |
Na entrevista, Wagner Lopes também chamou atenção para a diferença entre o tratamento de piscinas residenciais e o de piscinas coletivas. Para o uso residencial, o CRQ-SP recomenda cuidados básicos, como a aquisição de produtos legalizados, a não mistura de produtos químicos de marcas diferentes e o cumprimento rigoroso das orientações do fabricante quanto à dosagem e à forma de aplicação.
Já em piscinas coletivas, como as de academias, clubes, hotéis, parques aquáticos e condomínios, o cenário é mais complexo. “Em piscinas coletivas, tudo muda de figura. É inadmissível que uma pessoa não habilitada esteja à frente desse trabalho”, alertou o superintendente. Segundo ele, o grande fluxo de usuários aumenta a carga orgânica da água e eleva significativamente o risco de contaminação, exigindo controle técnico contínuo e profissional.
Responsabilidade técnica e exigência de ART
Wagner Lopes recomendou que gestores de piscinas coletivas contratem empresas especializadas ou profissionais autônomos habilitados para realizar o tratamento da água. Segundo o CRQ-SP, essas empresas devem fornecer uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que deve ficar afixada em local visível ao público, como forma de garantir transparência e demonstrar que o tratamento da água é realizado por profissionais capacitados.
A ART, explicou o superintendente, funciona como um instrumento de responsabilização técnica, indicando quem responde pelos procedimentos adotados no tratamento da piscina e assegurando que há um profissional legalmente habilitado acompanhando a operação.
Projeto de lei pode tornar responsável técnico obrigatório
Durante a entrevista, Wagner Lopes também defendeu a aprovação do Projeto de Lei 3.174/2019, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. A proposta prevê tornar obrigatória a presença de um responsável técnico no tratamento de piscinas coletivas, seja um químico autônomo ou uma empresa especializada.
Na avaliação do CRQ-SP, a aprovação do projeto pode representar um avanço importante para a segurança em ambientes aquáticos, ao estabelecer critérios mínimos de qualificação profissional e responsabilidade técnica para a operação desses espaços.
Ações de orientação ao público
Além da entrevista à Rádio Bandeirantes, o CRQ-SP anunciou a realização da live “Perigo em Piscinas – Como Garantir a Segurança e Evitar Fatalidades”, transmitida pelo canal oficial do Conselho no YouTube, com a participação de palestrantes convidados. A iniciativa faz parte de uma série de ações voltadas à orientação de gestores, profissionais do setor e usuários sobre os riscos associados ao uso inadequado de produtos químicos e à importância da qualificação técnica no tratamento da água.
Segundo o Conselho, o objetivo é ampliar o debate público e reforçar a necessidade de práticas seguras e responsáveis no cuidado com piscinas, especialmente em locais de uso coletivo.
A entrevista na íntegra pode ser acompanhada clicando aqui: Manhã Bandeirantes, com Vitor Lupato e Marco Antonio Sabino – Programa de 11/02/2026 – YouTube. (Link: https://www.youtube.com/watch?v=MlivKDtbs7I)
Fonte: RB Rádio Bandeirantes


