07/10/2025

Olhos e ouvidos protegidos


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Tampões auriculares e óculos de natação evitam otites, conjuntivites e ainda auxiliam no aprendizado do nado

A prática de atividades aquáticas, como a natação, traz inúmeros benefícios para a saúde, mas também pode gerar desconfortos quando os cuidados básicos de proteção não são observados. A sensação de ouvido tampado, dor, coceira ou olhos irritados e vermelhos, frequentemente associada ao contato com a água, pode ser evitada com o uso adequado de tampões auriculares e óculos próprios para o esporte.

Especialistas ouvidos pela Revista ANAPP explicam como o uso correto desses equipamentos pode prevenir infecções e favorecer o desempenho, principalmente entre praticantes regulares e atletas.

Foto: Revista Anapp

Cuidados simples, benefícios duradouros

Segundo o médico Jomar Brito Souza, doutor em medicina do esporte e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), a otite é uma infecção comum, mas de fácil controle quando diagnosticada precocemente. Ele destaca que a doença não deve ser vista como impeditiva à prática da natação.

“Raríssimas vezes alguém com otite de repetição vai receber recomendação médica para evitar atividades aquáticas. Os benefícios da natação superam amplamente o risco de complicações”, explica o especialista.

O médico ressalta que o uso de protetores auriculares e óculos é importante, mas deve respeitar o tipo de atividade. “No mergulho livre, por exemplo, o tampão auricular é contraindicado, pois a pressão da água pode empurrar o protetor para dentro do canal auditivo e causar lesões sérias.”

No caso dos óculos de natação, também não se recomenda o uso em mergulhos de profundidade. Nesses casos, o ideal é a máscara, que cobre olhos e nariz, evitando sucção e protegendo o globo ocular.

Dr. Jomar Souza alerta contra uso de cotonetes nos ouvidos

Hidroginástica e natação exigem cuidados diferentes

Durante a hidroginástica, o uso de tampões auriculares e óculos é dispensável, já que o rosto não fica submerso. “Nessas aulas, o essencial é a touca, que protege o cabelo e contribui para a higiene da piscina”, orienta Souza.

Já na natação, o cenário é diferente. O contato direto e constante com a água requer proteção para os olhos e, em alguns casos, também para os ouvidos. “Se o cloro estiver em excesso, pode irritar a conjuntiva, especialmente em pessoas suscetíveis à conjuntivite alérgica. Por isso, o uso dos óculos é sempre indicado”, afirma.

Quanto aos tampões auriculares, o uso deve considerar o tempo de exposição. “Quem treina de três a cinco vezes por semana, cerca de 50 minutos por sessão, e não tem histórico de otite, geralmente dispensa o tampão. Já atletas, que passam horas diárias na piscina, precisam proteger o ouvido, pois o contato prolongado com a água remove a cera natural e aumenta o risco de infecção”, explica o médico

A importância da cera e os riscos do cotonete

O especialista reforça que a cera do ouvido tem função protetora, com propriedades antifúngicas e bactericidas, e nunca deve ser removida com cotonetes. “Além de eliminar uma barreira natural, o uso incorreto pode empurrar a cera para o fundo do canal e causar sensação de entupimento ou infecção”, alerta.

Nos casos de acúmulo de cerume, apenas o médico deve realizar a limpeza. “É raro precisar fazer esse procedimento. Mergulho e nado há quase 50 anos e só precisei remover o excesso uma vez”, comenta Souza.

Para quem pratica natação com frequência, o médico recomenda, sob orientação profissional, o uso de soluções à base de ácido acético, aplicadas após o treino para evitar infecções. “Essas gotas mantêm o pH ácido e controlam a umidade do ouvido. Mas o uso deve ser sempre prescrito por um otorrinolaringologista. Não se deve usar receitas caseiras nem pingar vinagre nas orelhas”, enfatiza.

Quando a otite já está instalada, com dor e coceira, o ácido acético não tem efeito e o tratamento deve ser feito conforme a origem da infecção, seja bacteriana ou fúngica.

Equipamentos que ajudam a aprender

Além da prevenção de doenças, o uso de protetores e óculos tem papel importante no aprendizado do nado, como explica o professor Fabrício Madureira, doutor em controle e aprendizagem motora.

Segundo ele, os fones de ouvido surgiram originalmente como ferramenta de treinamento. “As pesquisas mostram que a correção feita no momento do erro é mais eficiente do que quando o atleta chega à borda da piscina. Por isso, os dispositivos foram incorporados aos treinos”, explica.

Madureira ressalta ainda a importância dos óculos para bebês e crianças em fase de aprendizagem. “Os pequenos não conseguem controlar o tempo de abertura dos olhos na água. A visão turva causa insegurança e atrapalha a adaptação. Os óculos proporcionam clareza visual e tornam o processo mais prazeroso”, observa.

Entre as maiores fobias infantis está o medo de não enxergar. “Quando a criança vê nitidamente o ambiente aquático, ganha confiança. O mesmo ocorre com o adulto que passa a perceber o espaço com mais tranquilidade e foco nas instruções do professor”, conclui.

Madureira: protetores auxiliam no aprendizado do nado

Prevenção e segurança andam juntas

O uso correto de equipamentos de proteção em ambientes aquáticos representa mais do que conforto: é uma forma de preservar a saúde e potencializar o desempenho. Tampões auriculares e óculos de natação, aliados à orientação profissional e aos cuidados médicos, são medidas simples que garantem segurança e longevidade na prática esportiva.

 

Fonte: Revista ANAPP Edição 150