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Natação paralímpica e acessibilidade: um mergulho rumo à inclusão
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Com foco na inclusão, autoestima, desenvolvimento motor e socialização, a natação paralímpica cresce no Brasil — mas ainda enfrenta desafios estruturais importantes
A prática esportiva é uma grande ferramenta de transformação social — e isso não é diferente quando falamos da natação paralímpica. A modalidade vem se consolidando no Brasil como um pilar de inclusão, e não à toa, neste ano os competidores brasileiros estarão presentes no Campeonato Mundial de Natação Paralímpica, em Singapura.
Segundo Silvia Soraia da Silva, que faz parte da Coordenação de Alto Rendimento do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), “a natação paralímpica ajuda a quebrar estereótipos e a mudar a percepção do público em relação à deficiência”, e ela ainda ressalta que a prática beneficia não apenas os atletas, mas também suas famílias, promovendo independência, bem-estar físico e habilidades emocionais e sociais.
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Silvia Soraia da Silva faz parte da Coordenação de Alto Rendimento do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB); |
Crescimento da modalidade e apoio institucional
O incentivo à natação paralímpica também passa pela garantia de acessibilidade. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), juntamente com a norma técnica ABNT NBR 9050, estabelece critérios para a adaptação de ambientes, como piscinas, garantindo acesso seguro e inclusivo.
Na prática, as piscinas devem ser projetadas com recursos como rampas, corrimãos, degraus submersos, barras de apoio e espaço para transferência. No entanto, como alerta Silvia, muitos locais ainda carecem de infraestrutura adequada.
Apesar dos desafios, a natação paralímpica tem registrado avanços notáveis a cada novo ciclo de competições. Esse crescimento se dá tanto pelo respaldo legal quanto pelo incentivo de instituições como o Comitê Paralímpico Brasileiro, que oferece projetos de base a partir dos 8 anos de idade.
A proposta do CPB inclui desde treinamentos recreativos e de transição até o preparo para seleções nacionais. Além disso, o comitê vem ampliando sua rede de centros de treinamento por todo o país, oferecendo cursos para professores da rede pública e fomentando o esporte adaptado em escolas, centros esportivos e comunidades.
Silvia destaca que, especificamente na natação, o CPB atua em frentes como:
Programas de iniciação à modalidade;
Formação de profissionais capacitados;
Promoção de eventos esportivos inclusivos;
Construção de infraestruturas acessíveis em piscinas e praias.
Ainda assim, ela reconhece que o progresso depende de esforços conjuntos: “Faltam investimentos em infraestrutura e equipamentos adaptados por parte de diversas instituições”.
Desempenho expressivo nas últimas competições
A natação paralímpica brasileira vive seu melhor momento. Nos Jogos de Paris 2024, a delegação nacional conquistou 48 medalhas (14 ouros, 10 pratas e 24 bronzes), encerrando sua participação entre os quatro países mais premiados da modalidade.
Já na etapa de Berlim da World Series 2024, o Brasil voltou a brilhar com 20 medalhas, incluindo sete ouros. Gabriel Araújo e Maria Carolina Santiago bateram recordes mundiais, reforçando o status de potência paralímpica do país.
Muito além do esporte: inclusão em movimento
A natação paralímpica desempenha um papel essencial na democratização do esporte, proporcionando às pessoas com deficiência oportunidades de lazer, socialização e desenvolvimento físico e emocional.
Além de ser acessível a diferentes tipos de deficiência, a modalidade promove integração e respeito — dentro e fora da piscina. “As piscinas devem ser espaços inclusivos, em que qualquer pessoa possa desfrutar do lazer com autonomia e segurança”, reforça Silvia.
Exercer empatia e adotar medidas de acessibilidade é fundamental para construir uma sociedade mais justa. Quando cada setor faz a sua parte, os resultados são transformadores.
Saiba mais sobre acessibilidade em piscinas em nosso site: www.anapp.org.br
Fonte: Revista Edição 181
