01/07/2025

Acessibilidade em foco: inclusão avança em áreas de lazer com uso de equipamentos hidráulicos em piscinas


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Equipamento hidráulico permite o acesso seguro e prático de pessoas com mobilidade reduzida em piscinas, por um baixo custo de manutenção

A pauta da acessibilidade vem ganhando relevância em diferentes esferas sociais. Em especial, a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida em ambientes de lazer, como piscinas, tem impulsionado a busca por soluções técnicas e funcionais que garantam o uso seguro e autônomo desses espaços. Seja em clubes, academias, hotéis, instituições de reabilitação ou residências, os dispositivos de acesso à piscina se tornam cada vez mais presentes, atendendo à demanda de um público que historicamente enfrentou barreiras físicas e estruturais.

Entre os equipamentos adotados para ampliar o acesso à água, destacam-se as cadeiras de transferência hidráulicas, que operam a partir de um sistema de alavanca acionado por pressão d’água. Esses dispositivos não utilizam energia elétrica e são instalados diretamente na borda da piscina, facilitando sua adoção em diferentes tipos de projetos, novos ou já existentes. O equipamento permite o deslocamento do usuário da borda até o interior da piscina com segurança e sem a necessidade de esforço físico.

 

A regulamentação que embasa esse tipo de adaptação é a norma ABNT NBR 9050, que trata dos critérios técnicos de acessibilidade em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. De acordo com a norma, os equipamentos de acesso devem permitir o uso autônomo e seguro, respeitando dimensões e condições de estabilidade, resistência e conforto.

No Brasil, empresas como a Tecnipool, especializada em soluções para acessibilidade aquática, atuam no fornecimento de cadeiras hidráulicas como a  Access Pool para uso em piscinas de vinil, alvenaria ou fibra. Segundo Lucineide Dias, gerente comercial da empresa, a procura por esse tipo de equipamento tem aumentado nos últimos anos, especialmente em locais de uso coletivo como clínicas, hospitais e academias. “Há uma conscientização crescente sobre o direito de todos ao lazer e ao esporte. O acesso à piscina precisa ser visto como parte disso”, afirma a profissional.

Lucineide Dias é gerente comercial da Tecnipool

O uso da cadeira hidráulica permite que pessoas em processo de reabilitação, cadeirantes, idosos ou gestantes tenham uma alternativa segura para acessar a piscina. O equipamento também tem sido adotado por famílias que buscam garantir a independência de parentes com mobilidade reduzida no ambiente residencial. Uma das vantagens dessas cadeiras é a instalação simplificada, feita por meio de fixação com parabolts, sem a necessidade de obras ou de mão de obra especializada.

O modelo de cadeira de transferência faz parte da linha de produtos da Tecnipool Acessibilidade Aquática

Impacto social e segurança

A adoção de tecnologias voltadas à acessibilidade tem efeito direto na promoção da autonomia e da qualidade de vida. Para pessoas que enfrentam limitações motoras, o simples fato de poder entrar e sair de uma piscina sem depender de terceiros pode representar um ganho expressivo em autoestima, liberdade e bem-estar.

Embora ainda haja lacunas na aplicação das normas de acessibilidade em muitos empreendimentos, observa-se uma maior atenção ao tema em novos projwetos arquitetônicos e em reformas. Instituições públicas e privadas vêm incorporando dispositivos de acessibilidade não apenas por exigência legal, mas como forma de inclusão real e compromisso social. n

De acordo com fabricantes e instaladores, a manutenção costuma se restringir a limpezas periódicas, lubrificação e pequenas inspeções visuais.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, o tema ainda enfrenta desafios importantes. Muitos locais com piscinas públicas ou semipúblicas não oferecem meios adequados de entrada e saída para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O desconhecimento sobre as normas técnicas, o custo inicial e a ausência de fiscalização mais rígida ainda contribuem para a baixa adesão em parte dos empreendimentos.

Contudo, especialistas reforçam que os investimentos em acessibilidade são compensados não apenas pelo cumprimento legal, mas pelo fortalecimento da imagem institucional, pela ampliação do público atendido e pela transformação de ambientes mais inclusivos.

À medida que as discussões sobre mobilidade, direitos e equidade ganham espaço no debate público, espera-se que soluções como cadeiras de transferência para piscina deixem de ser exceção e passem a integrar os padrões mínimos de projeto de áreas de lazer.

 

Fonte: Revista ANAPP Edição 181