17/07/2019

Venda sem susto


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Estoque de produtos químicos em lojas exige cuidados, como estar em um local arejado, protegido do sol e sem umidade

Por Sergio Kapustan

De Peruíbe, na Baixada Santista (SP), a Ariquem (RO). A imprensa registrou recentemente acidentes - especificamente incêndios - em lojas que vendem produtos químicos para tratamento de piscinas. De modo geral, o varejo armazena produtos clorados e oxidantes sólidos (granulados) e líquidos. Os sólidos mais conhecidos são hipoclorito de cálcio e sódio, barrilha e sulfato de alumínio. Os líquidos são algicidas, floculantes e os redutores de PH. Lojistas e fabricantes alertam: o contato  tanto do sólido com sólido ou sólido com líquido, por vazamentos, é sinal de encrenca. Qual é a razão? São produtos incompatíveis e, se armazenados de forma incorreta, podem provocar reações químicas ao entrarem em contato um com o outro. Desconhecimento das especificações técnicas descritas nos rótulos das embalagens, que, somado às falhas de armazenamento nas dependências de lojas, como defeitos nas instalações elétricas, goteiras e umidade, são algumas das causas de acidentes. No verão, em razão das chuvas constantes, aumenta a chance desses problemas para as empresas do setor. As consequências vão desde o desprendimento de gás nocivo até a propagação de fogo e explosões em casos extremos. Para evitar danos ao patrimônio e à saúde, uma das principais dicas é tomar cuidados na hora de transportar e armazenar os produtos e seguir as recomendações técnicas dos fabricantes. “O lojista deve conferir as embalagens dos produtos no ato do recebimento, para garantir que não ocorreu nenhuma avaria durante o transporte”, recomenda Junior Galinari, gerente de Marketing e Venda da HidroAll, fabricante de produtos clorados, com sede em Valinhos, na Região Metropolitana de São Paulo. 

Prevenção é o melhor remédio

Além de lojas de piscinas, os produtos químicos são comercializados em outros segmentos do varejo. Lojas de material de construção, agropecuárias e pet shops são alguns deles.

 A norma ABNT NBR 16674: 2018 trata do armazenamento, movimentação e gerenciamento de desinfetantes em armazéns e depósitos, sendo mais dirigida para fabricantes, sem mencionar diretamente os lojistas. Isso, no entanto, não impede de o lojista capacitar e atualizar os colaboradores. Entre alternativas disponíveis estão também os cursos periódicos com profissionais especializados oferecidos pelos fabricantes e a criação de comitês internos, como da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), a SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho) e Brigada de Incêndio. “São iniciativas que possuem um cronograma de reuniões para discussões, atualizações e simulações, que têm como objetivo garantir a segurança e a prevenção de acidentes”, defende Junior Galinari. O gerente de Marketing acrescenta que os produtos químicos devem possuir a FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) e o Boletim Técnico. “Eles devem ser disponibilizados pelo fabricante através do site/canal de comunicação com o lojista. Outro item importante é a Ficha de Segurança, que obrigatoriamente deve seguir com os produtos com classificação de risco durante o transporte. Os documentos têm como objetivo fornecer informações sobre vários aspectos dos produtos químicos quanto à segurança, à saúde e ao meio ambiente”. Ainda no âmbito da indústria, Ricardo Rodrigues Nogueira, diretor da Montreal Piscinas, de Jardinópolis (SP), recomenda ter, sempre, a mão, extintor de pó quando o problema é o cloro (a água não é recomendável por ser um componente que poderá provocar explosão), instalar para-raios, para evitar descargas elétricas, e proteger a fiação elétrica. “Por falta de para raios, por exemplo, uma fagulha pode provocar uma explosão”, comenta o diretor da Montreal Piscinas. Para Flávio Araújo Andrade, diretor de vendas da Equibombas, que também possui uma loja de produtos para piscinas na capital paulista, o setor varejista deve ficar atento às recomendações da indústria. Entre os itens que devem ser verificados, destaca a embalagem, que, segundo ele, tem peso de 10 quilos, de acordo com o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), além das condições da loja, como telhado, chão e prateleiras sempre em ordem. “Uma pilha de baldes de cloro em uma prateleira sem sustentação representa um sério risco de acidente”, encerra o representante da Equibombas.

Fonte: Revista ANAPP Edição 145