06/03/2019

Sem desperdício de água


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Saiba como identificar vazamentos e resolver o problema sem mexer na estrutura

por Sergio Kapustan

De um balde plástico, para verificar o nível da água, à manutenção subaquática, com aparelhos de última geração para detectar vazamentos invisíveis e fazer a troca de azulejos e a aplicação de rejunte no fundo, com agilidade e precisão e deixando a piscina intacta. São alguns cuidados para evitar os vazamentos em piscina, que costumam dar dor de cabeça aos proprietários pelo tempo perdido com o conserto, prejuízos no bolso (aumento da conta de água) e danos materiais e ambientais. As maiores preocupações estão na parte hidráulica (tubulação), como defeitos no chumbamento de canos, que podem depois comprometer o subsolo. A revista ANAPP ouviu especialistas no assunto, que recomendam fazer a inspeção regular da piscina e chamar profissionais – os caça-vazamentos - com experiência comprovada e que tenham conhecimentos das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Eles afirmam que em época normal, de verão, a piscina pode baixar meio centímetro por dia, por conta da evaporação, mas outros fatores contribuem, como aquecimento e equipamentos - tipo cascata, hidromassagem e borda infinita. Os sinais de vazamentos são evidentes quando a piscina perde três milímetros ou mais por dia. Os três modelos de piscina mais tradicionais são: alvenaria (cimento/azulejo), fibra e vinil (plástico). Em média, os modelos de piscina possuem algum tipo de validade, o modelo de alvenaria requer, por exemplo, nova aplicação de rejuntes a cada dez anos. O vinil tem prazo de oito a dez anos e a de fibra, de 15 anos para fazer troca ou reparos. E para cada um deles é preciso ficar atento ao problema, em razão do tipo de material de construção utilizado na obra. Independente do modelo, elas apresentam dois tipos de vazamentos: na estrutura (fundo e paredes) e hidráulica (tubulação e acessórios como filtros e bombas). “Entre as consequências dos vazamentos estão o aumento do consumo de água, comprometimento da estrutura da piscina e o desassoreamento do terreno onde foi construída”, explica o consultor técnico e vendedor de loja da Marol Piscinas (SP), Marco Antonio Caulada. De acordo com Marco Antonio, com exceção do modelo de vinil, são comuns problemas de vazamento nos modelos de alvenaria e fibra, especialmente por defeito na impermeabilização, tipo argamassa ou manta asfáltica. Em relação às piscinas de vinil, ele afirma que podem apresentar furos causados por objetos cortantes e saliências nas paredes. “O correto é prestar atenção se a impermeabilização foi feita em toda a sua extensão. Se 10% dela ficar descoberta, a chance de ter um vazamento é real”, explica o consultor técnico que sugere a realização de teste antes de fazer o revestimento. “É uma medida simples e que pode evitar dor de cabeça no futuro. Basta encher a piscina antes e fazer um acompanhamento de sete a dez dias”. Entre os testes mais simples sugeridos estão: colocar um balde cheio de água - no mesmo nível da piscina -, no degrau ou na prainha, e observar por 24 horas, e o de corante. Se a tubulação puxar a tinta, há vazamento.

 

Avaliação subaquática

Aparelhos geofones (detectores) e câmeras termográficas, por sua vez, estão entre as novidades para fazer o diagnóstico preciso e sanar vazamento, com a piscina cheia. É importante que profissionais capacitados, como técnicos e mergulhadores, façam o teste. Hidro Express Reparo Subaquáticos (SP) e WF Piscina (RJ) são algumas das empresas que fazem avaliação subaquática. Os diretores das empresas chamam a atenção do cliente que é possível resolver o problema sem a necessidade de esvaziar a piscina, gastando menos e com precisão de resultado, graças à tecnologia disponível. Fazer o teste de estanqueidade, com um objeto tipo agulha injetando um líquido na tubulação (que mostra a sucção do vazamento) e resina em fissuras são alguns dos serviços executados. Um dos testes consiste na introdução de ar comprimido na parte hidráulica (semelhante a um estetoscópio). Após a pressurização do ar, o profissional verifica no manômetro se houve perda de pressão. Havendo perda, conclui-se que há vazamento. Outra opção é o aparelho equipado com um sensor que capta a vibração da tubulação, cabendo ao técnico processar os dados e identificar o vazamento. Especializada em manutenção, limpeza, tratamento e segurança, a carioca WF Piscina vê nos serviços de mergulho uma forma de agilizar a solução de problemas crônicos e, às vezes, de pouca visibilidade. “Muitos clientes não conhecem ainda a técnica de mergulho, que permite trocar azulejos e aplicar rejunte no fundo, sem quebrar material”, conta o proprietário Wellington Fidelis, que fez o curso de mergulhador. A câmera termográfica é um dos equipamentos disponibilizados pela Hidro Express (SP). Permite identificar pontos de infiltração em paredes e fundos, por exemplo, porque a câmera consegue identificar variações de temperatura por infravermelho. Elas geram imagens que mostram os locais pontuais que necessitam de manutenção. André Geiger, dono da empresa, acrescenta que o equipamento foi utilizado pelo Exército de Israel para localizar vítimas soterradas na tragédia de Brumadinho (MG). “A nossa proposta de trabalho é: ter um profissional capacitado e certificado. Podemos comparar com a figura do clínico, que identifica o problema e faz o serviço sem agredir a piscina e o bolso do cliente”, afirma. Além de consertar vazamentos com a piscina cheia, a Hidro Express realiza troca de pisos e azulejos, reposição de rejuntes e remoção de manchas, entre outros serviços. “Trabalhamos com ideia do método não destrutivo. Com avaliação subaquática, identificamos patologias na piscina, tipo trinca e fissuras, com rapidez e eficiência”, garante o proprietário.

Fonte: Revista ANAPP Edição 143