21/05/2019

Piscina ajuda diabéticos


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Nadar ou fazer exercícios na água são importantes para eliminar ou postergar complicações em decorrência da doença

por Sergio Kapustan

Natação, hidroginástica e hidroterapiasão algumas das recomendações de especialistas para evitar complicações do diabetes (excesso de glicose no sangue). Sem controle, a doença pode ter sérias complicações com riscos de infarto, derrame, amputações e cegueira. De acordo com a Organização Mundial

de Saúde (OMS), o Brasil é o quarto País com maior número de casos. O último levantamento, divulgado no ano passado, apontou 16 milhões de pessoas sofrendo com o problema. Com isso, ficamos atrás da China, Índia e Estados Unidos.

Fraqueza, sonolência, vômitos e sede são alguns dos seus sintomas. A doença ocorre quando o pâncreas não produz insulina (principal fonte de energia do corpo) suficiente. Ou quando o corpo não consegue mais utilizar de maneira eficaz a insulina que produz. O diagnóstico é confirmado quando a pessoa, em jejum, tem 126 mg/dl ou mais de glicose no sangue.

 

A insulina regula a glicose no sangue sendo

fundamental para o bom funcionamento do organismo. A anormalidade é detectada quando há falta (hipoglicemia) ou excesso (hiperglicemia) da substância. Especialistas apontam três tipos de diabetes: tipos 1 e 2 e gestacional. O tipo 1 aparece em crianças e adolescentes magros. Os portadores de diabetes tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores normais. O tipo 2 (90% dos casos) é mais diagnosticado na idade adulta (a partir de 40 anos), muito em decorrência do ganho de peso, de maneira lenta. Quando descoberta muito tarde, a doença já pode ter comprometido o funcionamento de partes importantes do organismo, como nervos e rins. Funcionam como combustíveis os maus hábitos alimentares, sedentarismo e estresse da vida urbana. Neste tipo de diabetes encontra-se a presença de insulina. Recomenda-se fazer o teste de glicemia. A gestacional (10% dos casos) ocorre temporariamente durante a gravidez, quando as taxas de açúcar ficam acima do normal. A glicose volta ao normal após o parto. Benefícios e orientações Frequentar piscinas, seja para nadar ou fazer exercícios aeróbicos, é recomendado por médicos, professores de natação e fisioterapeutas por melhorar a vascularização, auxiliar no retorno venoso (fluxo sanguíneo) e evitar atritos com peles e escoriações, entre outros benefícios. Os exercícios aeróbicos, dentro da água, não sobrecarregam as articulações e evitam a fadiga muscular. Proporcionam a diminuição dos níveis sanguíneos de glicose e permitem a tolerância aos carboidratos e, assim, diminuem a necessidade de insulina. Eles observam ainda que a piscina é recomendada para pacientes que têm perda da sensibilidade nos pés e mãos (Neuropatia) por falta de atrito. Em linguagem simples, na medida em que a pessoa faz exercícios físicos, diminui o excesso de açúcar no organismo. Em vez de ficar no sangue, ele penetra no músculo para ser utilizado como fonte de energia. O organismo fica então equilibrado. “A prática de atividade física é recomendada para pessoas com ou sem doença. No caso do diabetes, em que existe o risco de infarto, o exercício na piscina ajuda (também) a controlar o colesterol, o peso e a pressão arterial”, alerta o endocrinologista e coordenador de comunicação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Fernando Valente. O especialista reforça que, independentemente de a pessoa ser ou não diabética, além da prática de exercícios físicos regulares, é preciso mudaro estilo de vida, como controlar o consumo de bebida alcoólica, parar de fumar e controlar o peso. Fernando Valente separa quem é atleta de natação e quem usa a piscina como tratamento de saúde e lazer (hidromassagem e hidroterapia). “No caso do atleta que disputa competições rápidas e vigorosas é importante ter um acompanhamento médico - antes, durante e depois da piscina. Já para a pessoa que frequenta a piscina duas vezes por semana, a presença do médico não é tão necessária”, compara. O médico observa ainda que bombas de insulina a prova d’água (aparelhos eletrônicos que liberam no corpo microdoses) devem ficar próximas ao abdômen, deixando livres pernas e mão para a realização de exercícios e movimentação dentro da piscina. “Quando aplicada próximo ao abdômen, a insulina é mais rapidamente absorvida pelo organismo”.

Fonte: Revista ANAPP Edição 144