02/04/2020

Olhos e ouvidos protegidos


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Tampões auriculares e óculos de natação permitem que a pessoa evite otites, conjuntivite e ainda auxilia no aprendizado e desenvolvimento do nado.

Sabe aquela sensação de olhos irritados, vermelhos ou de ouvidos tapados, doendo que pode acometer quem pratica atividades aquáticas, principalmente natação? São incômodos que podem ser evitados com o uso de tampões de ouvido e óculos indicados para esporte na água. Especialistas entrevistados pela Revista ANAPP apontam em que circunstâncias podem ocorrer os problemas e afirmam que as vantagens da atividade se sobrepõem aos casos, que devem ser vistos de forma particular, considerando se a pessoa tem pré disposição para desenvolver otite, conjuntivite e outros males e como está o seu sistema imunológico. Segundo Jomar Brito Souza, doutor especializado em medicina do esporte e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), a otite (infecção do ouvido) não é doença grave, desde que diagnosticada no início e bem tratada pelo otorrinolaringologista. Ele ressalta ainda que não deve ser vista como fator impeditivo para a natação: “Raríssimas vezes quem tem otite de repetição vai receber orientação médica para não fazer a atividade aquática. O benefício dessa atividade física regular é muito maior do que o risco de as pessoas desenvolverem o problema e ter algum tipo de complicação”.

Dr. Jomar Souza alerta contra uso de cotonetes nos ouvidos

Em linhas gerais, o médico avalia que os protetores de olhos e ouvidos são importantes para algumas atividades aquáticas, mas podem gerar problemas em outras. Por exemplo, o tampão auricular é contraindicado no mergulho em apnéia (quando o atleta permanece o maior tempo submerso ou percorre a maior distância ou profundidade sob a água, contando somente com a reserva de ar dos pulmões), na caça submarina ou no mergulho autônomo (com cilindros de ar). “Ele pode causar lesão séria nos ouvidos. Isso acontece porque, na medida em que a pessoa se aproxima da profundidade, a pressão da água vai empurrando o protetor auricular para dentro do canal.” Os óculos de natação também não servem para a prática do mergulho. O indicado é a máscara, que além de proteger os olhos, tampa o nariz, para que quando o mergulhador se aprofunde na água, possa soltar um pouco de ar (dentro dela) e evita que a parte da máscara que cobre os olhos faça uma sucção no globo ocular. “Os óculos não tampam o nariz e podem gerar lesão no globo ocular”, observa.

No caso da hidroginástica, o médico considera dispensável o uso dos óculos protetores e tampões para ouvidos já que as pessoas não ficam com a cabeça submersa na água e, consequentemente, essas regiões do corpo não têm contato com agentes contaminantes nem com a água. “Na hidro, o importante é usar a touca para proteger o cabelo e evitar a contaminação da água”.

Cuidados

Mas quando o assunto é natação, é importante usar os equipamentos de proteção para ouvidos, olhos, além da touca. “O cloro, se em excesso na água, poderá irritar a conjuntiva, que é uma membrana transparente que cobre os olhos, principalmente se a pessoa é susceptível a ter conjuntivite alérgica. É quando o olho fica vermelho, lacrimejando. Durante a aula, independentemente do estilo de nado, haverá momentos em que os olhos e ouvidos estarão na água.” Segundo informou, na natação, os óculos devem sempre ser usados, enquanto os tampões de ouvidos são indicados de acordo com a quantidade de horas que a pessoa passa na piscina por semana. Isso significa que se a prática do esporte ocorrer de 40 a 50 minutos, de três a cinco vezes por semana, e o indivíduo não tem problema prévio no ouvido (como otite), ferimento ou está em tratamento no otorrino, não precisa usar o tampão. Diferentemente ocorre com o atleta de natação, que treina praticamente todos os dias e passa várias horas dentro da piscina. Por ter o contato constante com a água, o ouvido fica úmido por muito tempo e pode ocorrer a remoção da cera que protege a região. “Aliás, a cera nunca deve ser removida em casa, menos ainda com cotonetes. Ela tem propriedade fungicida e evita infecção no ouvido”.

Ainda em relação ao cerume (ou cera), quando existe a produção excedente, pode acontecer de a água empurrá-lo para o fundo do conduto auditivo, próximo ao tímpano, o que provoca a sensação de ouvido entupido e gera processo infeccioso. Neste caso, a remoção deve ser feita pelo médico, caso necessário. “Não é algo comum de acontecer. Eu tenho quase 50 anos. Mergulho e fiz natação durante muitos anos. E precisei apenas uma vez ir ao otorrinolaringologista para remover o excedente de cera”. Questionado sobre o tipo de providência que a pessoa deve tomar para evitar ou se recuperar da água no ouvido, o médico recomenda, como medida de profilaxia, ao nadador de competição, o uso de protetor e formulações à base de ácido acético, ministradas em gotas no ouvido, a partir de recomendação médica. O produto deve ser aplicado após a aula e com a orelha enxuta – sem usar lenço de papel, cotonete ou outro elemento no conduto auditivo. O remédio mantém o canal auditivo com alta acidez, prevenindo infecções e ainda combate o excesso de umidade no local. “Não vale receita caseira para usar acido acético. Não é para ninguém sair por aí pingando vinagre nas orelhas”, alerta. O médico destaca que quando o quadro de otite já está instalado, com o ouvido doendo, coçando, avermelhado, o ácido acético já não funciona mais. Aí é preciso obter a avaliação do otorrinolaringologista, para saber o tipo de otite, se é provocada por bactéria ou fungo, e qual é o melhor tratamento. O especialista recomenda ainda que a pessoa procure orientação médica para saber que dose deve usar da solução preventiva, ministrada a partir do perfil de cada um.