28/05/2019

Jardim de outono


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Estação da transição do verão para o inverno exige atenção especial para a escolha de espécies e cuidados com plantas que decoram a área de piscina

Por Rúbia Evangelinellis

Até o próximo dia 21 de junho, outono será a estação reinante no Hemisfério Sul. Período de transição do verão para o inverno, é marcado por dias menos quentes e mais curtos, noites mais longas, ventos e Redução de chuvas. É um tempo também em que os jardins ganham outro colorido, de tons amarelado e vermelho, de folhas soltas pelo chão e combinados à neblina (mais comum em região serrana) criam um cenário bucólico digno de uma tela artística. Também é uma época do ano em que a área de piscina fica mais disponível, livre, para quem pretende dar um toque especial à decoração natural, ao jardim do entorno. Mas, atenção, é preciso saber quais espécies são mais indicadas à estação, como forma de dar brilho ao ambiente e evitar a formação de um tapete de folhas caídas. Eliana  Azevedo, paisagista, artista plástica e presidente da ANP (Associação Nacional de Paisagismo) destaca a beleza da estação e a necessidade de entender que é um momento em que as plantas reservam a sua energia, seguindo o ritmo de introspecção do outono, e alguma  perdem folhas caducas. “É importante respeitar o biorritmo das plantas, a sua dormência, e para isso alguns cuidados devem ser tomados. Por exemplo, não é um momento bom para adubar (para estimular o seu crescimento). O ideal é afofar a terra e fazer a irrigação”.

Já para quem planeja montar o jardim no outono, são indicadas plantas com folhas perenes, resistentes ao sol e à evaporação do cloro. Uma dica é plantar arbustos (combinando diferentes tamanhos e de até 1,5m), que aceitam poda: “Eles permitem uma decoração natural e dão privacidade ao ambiente. Eu recomendo que os arranjos tenham pedras, elemento natural que combina bem em área que tem água”. A clusia é uma variedade arbustiva, de folhas brilhantes, flores delicadas, usada como cerca viva e de fácil manutenção. Há ainda as plantas invernais, exóticas e adaptadas ao Brasil, que dão flor nas estações mais frias do ano. Nesse caso, precisam ser adubadas, diferentemente das espécies nativas. A recomendação, porém, é que tenham acompanhamento de um especialista em plantas e sejam colocadas a certa distância da piscina e um pouco distante do caminho das pessoas. São os casos da azaleia e glicínia que, adubadas no pé, dão floradas no inverno, mas perdem folhas no outono e “proporcionam um cenário lindíssimo”, ressalta Eliana.

 

Passo a passo

Para Sabrina Satie, engenheira florestal e franqueada da Ecojardim, rede que presta serviços de jardinagem e paisagismo, a primeira análise que deve ser feita para compor o paisagismo na área da piscina é identificar “o caminho e a incidência do sol” em cada período do dia no local reservado para as plantas. “Esse tipo de estudo é muito importante para definir as espécies indicadas para o ambiente. Se você coloca plantas que não aguentam sol da tarde que tem no local, elas começam a morrer e, consequentemente, perdem as folhas”. A partir da avaliação da luminosidade no espaço destinado ao jardim, a recomendação é pela escolha de plantas perenes, resistentes ao outono e a perda de folhas. “Um exemplo de não perene é o jasmim-manga, que chega a ficar apenas com o tronco no inverno e começa a florir na primavera.” As variedades mais comumente usadas são as que compõem os populares jardins tropicais, que dão folhagem o ano inteiro. Nesta família estão palmeira, bromélia, agapanto e falsa-íris. “Eu recomendo que fiquem a cerca de um metro da borda”. A especialista aconselha também espécies que não sejam de grande porte e com raiz agressiva, profunda, para não ter problema de rachadura e infiltração. Fênix, palmeira triangular e árvore do viajante são variedades de paisagismo tropical para piscina. Para ambiente de piscina aquecida, as opções são jardim vertical ou vasos com plantas para interior, como samambaia, bromélia e plantas com folhagens coloridas, como cróton (arbustos) e dracena. “Hoje, a maioria dos condomínios

tem piscina aquecida em área aberta. No espaço coberto é mais para quem faz natação ou pratica esporte rotineiramente, público que geralmente não se preocupa muito com paisagismo”, acrescenta. Quando a piscina fica em área rural ou com vegetação nativa, o recomendável é integrar o paisagismo à vegetação local. “A própria natureza se encarrega de fazer a melhor distribuição das espécies. É possível compor o paisagismo com espécies nativas, onde cabem árvores de grande porte e pomares”.

Expo Paisagismo será em agosto

A Francal Feiras realiza a segunda edição da Expo Paisagismo de 6 a 9 de agosto na Expo Center Norte, na Zona Norte da capital paulista. Dirigido a paisagistas, arquitetos, lojistas, hotéis, construtoras e outros profissionais e empresas, o evento reúne cem expositores. Eles abastecem o setor como fornecedores de sistemas de irrigação, adubos, vasos, ferramentas, decoração e softwares. A Associação Nacional de Paisagismo atua como curadora. Em paralelo à exposição será realizado o 3º Encontro ANP de Paisagismo, com palestrantes estrangeiros e nacional que vão abordar a importância do setor aliado à sustentabilidade. “É um evento sensacional. E estamos com uma perspectiva boa de participantes” avalia Eliana Azevedo. A Francal prevê aumento de 25% do público da feira (com base na edição de 2017), chegando a 8.900 visitantes. Mais informações no site www.expopaisagismo.com.br.

Fonte: Revista ANAPP Edição 144